Distinguir forma de conteúdo
Já Koch dizia que a tecnologia "afecta meios e conteúdos” e é capaz de criar um “radical novo jornalismo”. De facto, o suporte digital trouxe alguma libertinagem à circulação de informação na web, mas potenciou o pluralismo e impôs um impreterível rigor na produção jornalística. O acesso às fontes agilizou-se, no sentido de as próprias serem, por si, capazes de disponibilizar informação. Se, de algum modo, este acesso facilitado a qualquer tipo de conteúdos na Internet veio fragilizar o trabalho do jornalista, pois mudemos radicalmente de postura. Reflictamos sobre a quantidade de informação na web e sobre os que se julgam capazes de a produzir, mas não nos sintamos ameaçados na nossa função mediadora privilegiada de “gate-keepers”. A proliferação de informação deve ser capaz de nos fazer sentir, enquanto profissionais de comunicação, responsáveis por refinar o processo de verificação de factos. Perante o excesso de informação nas redes, devemo-nos tornar verdadeiros intérpretes e controladores de qualidade, porque para isso estamos habilitados.
Não confundamos jornalismo com informação. O que de novo prolifera na web veio ocupar um vazio jornalístico alimentado pela facilidade na publicação. De facto, assistimos a um inegável “alargamento do espaço público”, como diz Eduardo Cintra Torres, que contribuiu para “aprofundar a democracia”. Não neguemos, também por isso, o contributo de alguns trabalhos disponíveis na infinidade de blogues alegadamente noticiosos, e deixemos que todos possamos coexistir. O que devemos também recordar é que não surgem cidadãos-jornalistas por geração espontânea, e que o trabalho jornalístico de qualidade não é substituível. Presumir seguir princípios ético-deontológicos não é o mesmo que os cumprir na prática. Da mesma forma, devemo-nos impôr como os únicos trabalhadores pertencentes a empresas jornalísticas que “desempenham um papel integrador, aglutinam uma certa massa crítica, reproduzem uma cultura, uma socialização e práticas”, como lembra Anabela Gradim. Tudo isto, claro está, sem deixar que a pressão da instantaneidade nos tire tempo de investigação ou baixe o nível de controlo editorial. Como Anabela Gradim, também nós devemos rejeitar “o nivelamento por um mínimo denominador comum” ou a produção de “uma classe asséptica, que domine múltiplos talentos, nenhum em profundidade”. Para marcarmos a diferença com o nosso trabalho, e se o que procuramos é o jornalismo de excelência, acautelemo-nos com a qualidade de um jornalista polivalente, "de mochila às costas", e apostemos antes no que somos capazes de fazer melhor.
Com a tecnologia “miniaturizada” e “portátil” à disposição, o comum cidadão que antes só testemunhava, agora presencia, regista e publica. Ainda que a evolução tenha tornado isto possível, não é consequência directa que o “dono” do equipamento informático ganhe, com isso, alguma espécie de estatuto. Os vídeos amadores e os telefonemas que chegam às redacções distinguem-se, exclusivamente, no “suporte do testemunho”, como lembra Cintra torres. Não passam, como diz o jornalista, de “testemunhas circunstanciais” ou “fontes” que “narram o acontecimento acontecendo” e que, de tão factuais, não podem ser negligenciadas. O valor da imagem na comprovação dos acontecimentos é inequívoco e, como os média só têm a ganhar, apelam ao cidadão para que ceda os seus registos.
Porém, como classe profissional especializada no tratamento de informação, os jornalistas devem sentir-se incomodados com a visão apocalíptica de Steve Outing e Dan Gillmor e recusar a apologia de um novo “conceito” que não tem razão para existir. Urge que a classe jornalística e o cidadão comum distingam a forma do conteúdo, porque esse só o jornalista é capaz de produzir.
Não confundamos jornalismo com informação. O que de novo prolifera na web veio ocupar um vazio jornalístico alimentado pela facilidade na publicação. De facto, assistimos a um inegável “alargamento do espaço público”, como diz Eduardo Cintra Torres, que contribuiu para “aprofundar a democracia”. Não neguemos, também por isso, o contributo de alguns trabalhos disponíveis na infinidade de blogues alegadamente noticiosos, e deixemos que todos possamos coexistir. O que devemos também recordar é que não surgem cidadãos-jornalistas por geração espontânea, e que o trabalho jornalístico de qualidade não é substituível. Presumir seguir princípios ético-deontológicos não é o mesmo que os cumprir na prática. Da mesma forma, devemo-nos impôr como os únicos trabalhadores pertencentes a empresas jornalísticas que “desempenham um papel integrador, aglutinam uma certa massa crítica, reproduzem uma cultura, uma socialização e práticas”, como lembra Anabela Gradim. Tudo isto, claro está, sem deixar que a pressão da instantaneidade nos tire tempo de investigação ou baixe o nível de controlo editorial. Como Anabela Gradim, também nós devemos rejeitar “o nivelamento por um mínimo denominador comum” ou a produção de “uma classe asséptica, que domine múltiplos talentos, nenhum em profundidade”. Para marcarmos a diferença com o nosso trabalho, e se o que procuramos é o jornalismo de excelência, acautelemo-nos com a qualidade de um jornalista polivalente, "de mochila às costas", e apostemos antes no que somos capazes de fazer melhor.
Com a tecnologia “miniaturizada” e “portátil” à disposição, o comum cidadão que antes só testemunhava, agora presencia, regista e publica. Ainda que a evolução tenha tornado isto possível, não é consequência directa que o “dono” do equipamento informático ganhe, com isso, alguma espécie de estatuto. Os vídeos amadores e os telefonemas que chegam às redacções distinguem-se, exclusivamente, no “suporte do testemunho”, como lembra Cintra torres. Não passam, como diz o jornalista, de “testemunhas circunstanciais” ou “fontes” que “narram o acontecimento acontecendo” e que, de tão factuais, não podem ser negligenciadas. O valor da imagem na comprovação dos acontecimentos é inequívoco e, como os média só têm a ganhar, apelam ao cidadão para que ceda os seus registos.
Porém, como classe profissional especializada no tratamento de informação, os jornalistas devem sentir-se incomodados com a visão apocalíptica de Steve Outing e Dan Gillmor e recusar a apologia de um novo “conceito” que não tem razão para existir. Urge que a classe jornalística e o cidadão comum distingam a forma do conteúdo, porque esse só o jornalista é capaz de produzir.

